Por onde escorrem os imps?

Primeiro, premissas. Isso aqui não é uma simples contagem de imps: é uma análise de swings. A diferença entre os dois é que o imp depende do resultado observado na outra mesa, enquanto o swing é produzido pela comparação entre o resultado em uma mesa e o “bom bridge”. É claro que isso aí é subjetivo; a grande dificuldade do analista é decidir se a jogada correta seria realmente “bom bridge”. Com as informações disponíveis ao jogador, não é nada raro que a jogada vencedora seja “mau bridge”, ou que o “bom bridge” seja equivalente ao “mau bridge”. Deixar de prestar atenção nisso é a famosa falácia de argumentar com o resultado.

Uma outra dificuldade na análise de swings é a sua classificação. Como dizer se o swing é produto do leilão, da saída, do carteio? Em muitas situações a classificação é clara, mas em outras, tudo se mistura.

Mas temos que fazer o possível, levando tudo isso em consideração, para entender por onde os imps se vão.

Um levantamento com base nas semifinais do torneio de seleção indica o seguinte:

853 imps de swing!

Uma das semifinais contribuiu com 446 imps deste total, e a outra com 407.

183 imps de swing foram atribuídos a decisões de marcar ou não marcar game (111 em uma semifinal, 72 na outra).

109 imps de swing foram atribuídos a decisões de marcar ou não marcar slam (58 em uma semifinal, 51 na outra).

260 imps de swing foram atribuídos a decisões em leilões competitivos (incluindo aí desde parciais até disputas no nível de 5 ou 6), sendo que 125 imps foram em uma semifinal, e 135 imps na outra.

Assim, o total de swings por leilão foi de 552 imps.

79 imps de swing foram atribuídos a saídas (31 e 48).

103 imps de swing foram atribuídos a ataque (58 e 45).

Assim, o total de swings por ataque foi de 182 imps.

119 imps de swing foram atribuídas a carteio.

Em porcentagens, a distribuição dos swings foi:

Leilões: 65% dos swings (21 para decisões de game, 13 para decisões de slam, 31 para decisões de leilão competitivo)

Ataque: 21% dos swings (9 de saídas, 12 de ataque em geral)

Carteio: 14% dos swings.

Não é nada de muito novo, mas é bom ver tudo isso de forma concreta. As partidas se ganham ou se perdem, em geral, no leilão, e principalmente no leilão competitivo. Na realidade, houve 1 (hum, como nos cheques) resultado que pode ser claramente atribuído a uma vantagem de sistema entre uma mesa e outra: uma dupla conseguiu convidar e parar no nível de 2, enquanto a outra teve que ir ao nível de 3.

Isto significa que temos que parar de nos dedicar a sistemas complexos? De certo modo, sim. Pois o que interessa mesmo são os fundamentos; em leilões competitivos, o importante é que a dupla tenha segurança do que está acontecendo, conseguindo descrever os aspectos importantes da mão de forma rápida e eficiente, e também impedindo que o adversário faça isso. É claro que a mão certa para o sistema complexo X pode dar um swing significativo (e quando pensamos nas pequenas margens das partidas, isso fica ainda mais claro), só que, quantitativamente, uma dupla tem muito mais a ganhar discutindo situações de leilão competitivo — e decisões de game ou slam. Na minha opinião os sistemas mais complexos só entram em campo neste último caso (slams), e o segredo é achar o meio-termo entre a complexidade e o conforto da dupla em situações competitivas. Pois este conforto é o principal nestas situações.

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