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Lição 1 – Encerramentos

 

Hoje, tem início uma nova série de lições, voltadas para o público que pretende chegar ao nível “avançado”. Ou seja, veremos jogadas mais sofisticadas, que fazem parte do arsenal dos melhores jogadores.

Começamos com o encerramento, talvez a mais simples das manobras avançadas. De maneira geral, um encerramento é uma aplicação do princípio apresentado nas Aulas Básicas — sempre é vantajoso forçar um adversário a jogar um determinado naipe, fazendo com que suas forquilhas sejam a última mão a servir na vaza. O encerramento consiste apenas nisso, em forçar o adversário a jogar um naipe de seu interesse. O que torna esta manobra interessante é a parte do “forçar” — para que o adversário não possa escapar de um encerramento, o carteador precisa ser bastante cuidadoso.

Vejamos um exemplo simples.

Com esta figuração em copas, você pode fazer a finesse da Dama para os dois lados. Se você acha que a Dama está com Oeste, você joga pequena para o Valete; se acha que está com Este, joga pequena para o Dez. Em muitos casos, isso vai significar um simples palpite, e todo palpite tem chance de errar. Só que, se algum adversário estiver com a mão e for obrigado a jogar copas, seus problemas acabaram. Assim que algum adversário (qualquer um) mexer no naipe você consegue fazer 3 vazas. Ou seja, se possível, você prefere obrigar os adversários a mexer no naipe.

Suponha que as demais cartas sejam as seguintes, as últimas quatro vazas da mão:

Ao invés de tentar adivinhar quem tem a Dama de copas, você pode simplesmente jogar ouros. Alguém será obrigado a jogar copas, e você nem precisa perguntar quem tem a Dama.

É claro que a situação acima é um tanto artificial. Mas não é raro que o carteador consiga planejar um carteio para chegar a uma posição análoga.

Em outras situações, você sabe muito bem onde estão as honras adversárias: elas estão mal colocadas! Nestes casos, o encerramento é sua única esperança. Imagine que o final seja esse:

Suponha que, em um contrato em ST, a mão esteja em Norte, o morto, e que você precisa fazer 2 vazas. Suponha também que (pelo leilão) você saiba que o Rei de espadas deve estar em Oeste. Não adianta fazer a finesse. Sua única chance é jogar copas. Talvez a mão pare em Este (basta ele ter o6), e talvez ele consiga fazer 2 vazas de copas (basta ele ter as 2 copas restantes), mas nada disso interessa; pois qualquer outra jogada equivale a desistir do contrato. Não adianta fazer uma finesse quando sabemos que a honra está mal colocada! Nossa melhor chance é jogar copas e torcer para um final como o do diagrama.

Como regra geral, o carteador precisa planejar um encerramento; ele não acontece espontaneamente, exceto em situações muito raras. Vejamos o próximo diagrama:

Esta situação é basicamente idêntica à anterior, com uma carta a mais em cada mão. Você, Sul, pode jogar ouros, para dar a mão a Oeste, mas ele não jogará espadas. Ele ainda tem uma copas, e essa será sua jogada. E depois você terá sido encerrado, obrigado a jogar espadas para ele. Assim, nesta situação, sua primeira ação deve ser jogar o Ás de copas, eliminando a carta de copas da mão de Oeste. Só então você deve jogar ouros, e Oeste então é forçado a jogar uma espadas.

No jargão dos encerramentos, quando você bate o A, você eliminou as copas. É por isso que os encerramentos também são chamados de “eliminações”. Depois de eliminar as copas dos adversários, ao dar a mão a eles (i.e. “encerrá-los”) em ouros, eles precisam jogar espadas para você.

Talvez você esteja achando que é difícil fazer isso na vida real; que é mais fácil eliminar mãos e encerrar adversários em diagramas com 4 ou 3 cartas do que na mesa. Sim, é mais fácil, mas a facilidade não é tão maior. Para executar encerramentos, basta exercitar a imaginação, a capacidade de perceber quando é melhor deixar os naipes quietos, e uma capacidade de projetar as distribuições dos adversários. Esse é o caminho que leva do principiante ao jogador avançado, e ele está ao alcance de todos.

Vejamos alguns exemplos, mas antes de mais nada observe que você precisa acompanhar cada um dos exemplos com muito cuidado, carta por carta.

Depois de um leilão simples, 2ST de Sul, 6ST de Norte, o carteio começa assim:

J, 2, 5, A. (Sul começa o carteio pensando que Oeste deve ter uma sequência, e provavelmente o comprimento, em paus).

4, 7, Q, 2

K, 3, 6, 8

5, 9, J, 3. Oeste tinha apenas 2 espadas (Sul está observando e anotando tudo isso).

A, 4, 4, 10

3, 8, Q, 2. Oeste tinha 5 paus.

2, 7, A, 4

Q, 5, 6, 8

10, 5, K, 6. Agora, Sul consegue reconstituir toda a distribuição de Oeste, pois ele já sabe que Oeste tinha originalmente 3 ouros. Com o resto das informações, a mão de Oeste era composta por 2 espadas, 3 copas, 3 ouros e 5 paus; e agora ele tem 2 copas e 2 paus. O carteio se torna muito claro agora:

K, 3, 6, 9

E a posição final é:

E basta o carteador jogar paus do morto para garantir seu contrato, sem se perguntar onde está o Rei de copas.

Note que, na posição final, a jogada do carteador tinha exatamente 100% de chance de funcionar, pois a contagem da mão de Oeste era absoluta. Mesmo que o Rei de copas estivesse com Este, a mão teria sido ganha. Note também que, nesta posição final, o encerramento é a única jogada vencedora — se o carteador tentar a finesse de copas, ele perderá esta vaza e Oeste cobrará uma vaza em paus.

Finalmente, antes de deixarmos esta mão para trás, note que Oeste poderia ter dificultado imensamente a vida de Sul. Se ele tivesse descartado uma copas a mais e um paus a menos, chegando no final acima com 2 cartas de paus e 1 carta de copas, Sul teria um grande dilema. Ele saberia que Oeste tem apenas uma carta de copas, mas ela é o Rei ou não? Se for o Rei, ele deve jogar copas para o Ás, se não for, ele deve jogar copas para a Dama… e nos dois casos o encerramento será impossível, pois entregar a mão a um Oeste com 2 paus firmes é suicídio.

Se Oeste tivesse baldado deste modo, Sul teria que decidir entre as duas linhas possíveis (Ás ou Dama de copas na vaza 11?), com base no que ele sabe da psicologia e da habilidade de Oeste, afinal de contas, não é fácil secar um Rei no ataque.

ENCERRAMENTO NO NAIPE DA FORQUILHA

A próxima mão é outro exemplo de encerramento, e a única diferença é que o encerramento é feito no próprio naipe da forquilha.

 

O contrato é 6ST, e Oeste sai com o 10. Sul conta 11 vazas (3 espadas, 3 copas, 4 ouros, 1 paus). Vejamos o carteio inteiro.

10, 2, 4, A

K, 3, 5, J

Q, 8, 6, 2. A primeira possibilidade da 12ª vaza era uma boa divisão no naipe de espadas (3 a 3), mas este plano caiu por terra.

2, 9, J, 3

K, 5, 6, 10

4, 7, A,  3

Q,  4, 7, 8. Quando Oeste balda duas copas, a quarta espadas de Norte já não serve para nada, e pode ser descartada agora, principalmente porque o carteador já está visualizando um bom final. Veja como estão as cartas neste momento:

6,  7,  Q,  2

A,  10,  8,  9

5, 7,  K, J

O carteador agora sabe que Este só tem paus (estamos falando das últimas três cartas da mão), e o carteio correto fica claro (caso o carteador tenha prestado atenção e tenha registrado que Este só tem paus! Não adianta cartear sem prestar atenção). O carteador joga paus da mão, e quando Oeste serve uma carta menor do que o 9, ele joga o 9 da mesa, e forçosamente faz as duas últimas vazas com as honras de paus do morto.

Notem que se Oeste tivesse jogado uma honra intermediária (o Valete ou o Dez), o carteador simplesmente jogaria a Dama e, ao perder a vaza para o Rei de Este, teria criado uma posição equivalente e faria as duas últimas vazas com o Ás e o Nove de paus.

Veremos novas lições sobre o assunto em breve.

Lição XXXVI – Jogadas de segurança (parte 2)

Muitas jogadas de segurança são “tabeladas”, ou seja, se o jogador conhece a posição, elas são facilmente identificáveis. Por outro lado, se o jogador nunca viu a situação, a jogada parece estranha. Isso só valoriza o jogador que se dedica a estudar o jogo.

Uma dessas jogadas tabeladas que qualquer bom jogador precisa conhecer é exemplificada a seguir.

Você está carteando 6 Copas. Oeste sai com o J, e Norte faz a vaza com a Q. O único risco para o contrato é perder 2 vazas em trunfo. A maneira de se precaver contra isso é simples: você começa o manejo do naipe de trunfos com o Rei da mesa. Oeste descarta o 3. Sua próxima jogada é uma pequena copas da mesa. Se Este jogar pequena, você ganhará a vaza com o Nove, e depois perderá apenas uma vaza no naipe. Se Este jogar o Dez, você ganhará com o Ás, e depois arrancará a Dama de trunfos, novamente perdendo apenas uma vaza.

Se você acha que o Rei de Copas foi uma jogada inspirada, medite mais sobre as possibilidades. Suponha que quem tivesse as copas era Oeste. Este teria descartado na primeira vaza do naipe. Mas Sul continuaria com copas para o Ás, e copas para o Valete, perdendo apenas — mais uma vez — uma vaza no naipe. E se as copas estivessem mais bem distribuídas (3-1, 2-2), Sul jamais perderia 2 vazas no naipe. Ou seja, começando com o K (que certamente parece ser uma jogada estranha, pois você está aparentemente abrindo mão de uma finesse em copas), você garante o contrato contra qualquer distribuição das copas. E se você jogar o naipe começando com o A, você perderá o contrato quando as copas estiverem todas em Este (veja o diagrama e projete o carteio neste cenário).

Vale a pena guardar este naipe — e naipes parecidos — na cabeça ao cartear.

 

Sul joga 4 Copas depois que Oeste marcou espadas no leilão. Oeste sai com a Q, e Este cobre com o K. Sul ganha a vaza com o Ás. Novamente, o único risco para o contrato é perder duas vazas de trunfo (além das duas vazas nos naipes pretos que parecem praticamente inescapáveis). Uma maneira simples de se proteger o máximo possível contra distribuições adversas é começar a jogar os trunfos com uma honra da mão, e continuar jogando uma pequena para o Nove da mesa. Se todos servirem, você tira os trunfos quando pegar a mão, perdendo apenas uma vaza; mas se Oeste descartar (veja o diagrama), você estabeleceu uma forquilha contra as honras de Este. (Se Este descartar, i.e., se Oeste tinha QJxx de trunfos, você estava condenado desde o começo).

A mão é relativamente simples porque o leilão indicou que não havia risco de um recorte em espadas. Se quem marcou espadas foi Este, é necessário um pouco mais de cuidado. Sul deve ganhar a primeira vaza em sua mão, bater uma honra de trunfos, entrar na mesa com o Ás de ouros, e jogar (pequena) copas para o Dez de sua mão. Esta manobra garante que o atacante que pegará a mão é Oeste. Se Este calçar com QJxx, é simples cobrir sua honra e depois arrancar a honra restante com o 9 da mesa, guardando o 10 da mão para tirar os trunfos.

 

Você está carteando 6 Espadas, e a saída foi a Q. A jogada correta com este naipe é um pouco mais dolorida, pois você pode estar abrindo mão de uma vaza garantida; mas sem dúvida o carteio correto é sacrificar esta vaza em prol do objetivo maior, que é não perder 2 vazas em trunfos. (Esta é a definição de jogada de segurança!). Depois de ganhar a saída (em algum lado), você deve jogar pequeno trunfo (de qualquer lado), e quando algum atacante serve pequena (de algum lado), você joga uma carta intermediária (no caso, você tem todas do 10 ao 5). Se você fizer a vaza, ótimo — só pode perder (no máximo) uma vaza neste naipe, ao bater seu Ás e Rei. Se você perder a vaza para alguma honra, o Ás e o Rei eliminarão os 2 trunfos que restam. E se, naquela segunda vaza do carteio, o segundo a jogar descartar? Então, você ganha com sua honra (o Ás ou o Rei) e faz uma finesse contra o outro adversário, garantindo que só perderá 1 vaza no naipe.

Ao jogar deste modo, você garante, contra qualquer distribuição das espadas, que só perde uma vaza no naipe.

 

Lição XXXV – Jogadas de Segurança

Uma jogada de segurança é uma manobra cujo objetivo é reduzir ao mínimo a chance de se perder um contrato. De certa maneira é o equivalente bridgístico de se levar um guarda-chuva, preparando-se para a eventualidade de uma chuvarada. Existem dois tipos básicos de jogadas de segurança. Uma delas ocorre quando deliberadamente cedemos uma vaza para reduzir a chance de se perder duas vazas em um determinado naipe. É claro que isso só pode ser feito quando a vaza cedida não determina a queda do contrato. O segundo tipo de jogada de segurança é mais abrangente, e se refere ao manejo de uma mão inteira de tal modo a minimizar a chance de queda do contrato.

Não é difícil executar uma jogada de segurança. A principal “dica” é sempre contar suas vazas, tanto as vazas que você tem (ou pretende estabelecer) quanto as vazas dos adversários.

RECUSANDO UMA FINESSE

Quando uma finesse implica na chance de se perder uma outra vaza, podemos executar uma manobra de segurança bastante comum. Veja o exemplo:

Suponha que você está carteando 4 Copas em Sul, depois que Oeste marcou paus no leilão. A sua saída foi aQ. Você faz a vaza na mesa, Este joga o ♣8, e você serve o ♣2. Agora, você joga copas da mesa, e quando Este joga pequena, você faz uma jogada de segurança e recusa a finesse, apresentando seu Ás. Vamos acompanhar o raciocínio de Sul ao executar essa jogada que, à primeira vista, parece estranha. O Rei de Copas está à esquerda, ou à direita. Se ele estiver bem colocado (à direita do carteador), o carteador perderá uma vaza para esta carta — uma vaza que poderia ter sido evitada pela finesse de copas. Mas neste caso o carteador acabará com 2 espadas, 4 copas, 2 ouros e 2 paus, i.e., 10 vazas, e o contrato continua sendo cumprido. E se o Rei de Copas estiver mal colocado (e acompanhado de pelo menos uma carta pequena)? Bom, neste caso não há nada que o carteador possa fazer para evitar que ele faça uma vaza. O perigo da finesse é que Oeste pode ganhar a vaza, jogar a segunda rodada de paus, e dar um corte a Este — um corte que eliminaria uma das vazas do carteador (uma das honras de paus da mesa). Ou seja, se o Rei de copas estiver mal colocado, é importante que duas rodadas de trunfo (e não apenas uma) tenham sido jogadas quando Oeste fizer sua vaza de trunfo, caso contrário, Este terá um trunfo em sua mão e poderá cortar uma honra de paus da mesa. Note que, se Oeste tiver 3 trunfos de Rei, Este tinha seca de trunfos (originalmente) e não há mais possibilidade de corte, ou seja, o contrato está garantido.

Vejam como o leilão (o fato de Oeste ter marcado paus) é importante na hora do carteador planejar sua estratégia. Foi o leilão que deu ao carteador a indicação do risco do corte de paus na segunda rodada deste naipe.

PROTEGENDO SUAS HONRAS CONTRA CORTES

Mais uma vez, Sul joga 4 Copas depois que Oeste marcou paus. Oeste sai com a Q. Sul ganha a vaza com o Rei da mesa. Você está atento? Entendeu por que razão Sul preferiu ganhar esta vaza com a honra da mesa (ao invés de ganhá-la com o Ás de sua mão)?

O K é uma jogada de segurança. O principal risco no contrato é que Este tenha uma seca de paus. A diferença deste caso para o caso anterior é que os adversários estão com o Ás de Copas, ou seja, o carteador não consegue jogar duas voltas de trunfo. É quase certo que Oeste fará a primeira vaza de trunfos com o Ás e jogará paus para dar um corte ao parceiro. Ora, se a vaza de paus foi vencida na mão, a segunda rodada de paus forçará o Rei de paus da mesa, e Este cortará, eliminando uma das honras de paus do carteador (sua décima vaza), derrubando o contrato. Veja o efeito que fazer a vaza na mesa produz nesta segunda rodada de paus: o carteio segue com o carteador jogando trunfos na vaza 2. Oeste faz a vaza e joga paus. Este vai cortar, mas você vai conseguir jogar pequena das duas mãos. Ou, dito de outro modo, este corte de paus não vai forçar uma de suas honras; será um corte de uma vaza que já estava perdida desde o princípio do carteio. Ao jogar o K na primeira vaza, Sul protege seu Ás e cumpre o contrato sem problemas.

Parece simples, mas é muito comum ver jogadores escorregando em mãos como essa. Quando há risco de cortes, o carteador precisa manejar suas honras de modo a fazer com que o corte cause o mínimo de dano.

PREPARANDO-SE PARA O PIOR

Vejamos agora o outro tipo de jogada de segurança, que consiste de se jogar uma combinação de honras de modo a se precaver contra as piores distribuições das cartas adversárias. Veja o próximo caso:

Sul está jogando 4 Espadas, e as primeiras 5 vazas são as seguintes:

Vaza 1. Oeste sai com o A, 3, J, 7. Este jogou o Valete de copas para mostrar que possui o Dez, e que não possui a Dama.

Vaza 2. Oeste joga a Q, 5, 2, 8.

Vaza 3. Oeste joga o K, 6, 4, 9.

Vaza 4. Oeste joga o 4, 2, Q, e Sul ganha com o Ás.

Vaza 5. Sul joga oK, 2, 4, e Este balda o4.

A jogada de Sul na quinta vaza foi uma jogada de segurança. Existem 4 cartas de espadas nas mãos dos adversários, incluindo o Valete. Se elas estiverem bem divididas, as 3 honras do carteador serão suficientes para tirar trunfos. Mas se os trunfos estiverem todos em uma mão (distribuição 4-0), o Valete dos adversários pode criar problemas. Ao jogar o K da mão (ao invés do A da mesa), Sul está se preparando para capturar o Valete por meio de uma finesse, qualquer que seja a distribuição do naipe. Se as espadas estão realmente divididas 4-0, alguém vai descartar nesta vaza, e Sul continua com forquilhas no naipe nas duas mãos (A9 na mesa, Q10 na mão). Quando Este descarta, Sul joga espadas para o 9, depois bate o A, entra na mão cortando ouros, e tira os trunfos.

Note que a jogada do K protege o carteador contra qualquer distribuição; se tivesse sido Oeste a descartar, Sul também ganharia o contrato, fazendo uma finesse equivalente contra os trunfos de Este.

Há inúmeros naipes como este, que permitem finesses para os dois lados… contanto que o carteador jogue de olhos abertos e com cuidado.

E também há mãos como a próxima, que não permitem finesses para os dois lados… mas que mesmo assim devem ser manejadas com carinho.

A mão é bem parecida com a anterior, e o ataque começou da mesma forma: 3 vazas de copas, e depois ouros. Todavia, o naipe de trunfos é diferente. Na mão anterior, batendo a honra certa, você mantinha uma forquilha em cada mão. Não é o caso deste naipe. Como faltam o Valete e o Dez de trunfos, não basta uma forquilha simples: você precisa de duas honras para capturar estas cartas. A jogada correta não garante o contrato em todos os casos possíveis (como na mão anterior), ela simplesmente garante o contrato em todos os casos ganháveis; em outras palavras, com a jogada certa, você só perde o contrato nos casos em que nada podia ser feito.

A jogada certa de Sul agora é jogar pequena espadas para o Ás da mesa. Se quem jogasse fosse o morto, a jogada certa seria bater o Ás de espadas da mesa. O objetivo da manobra é manter as tais duas honras (no caso, o Rei e a Dama) prontas para capturar as honras adversárias… caso alguém não sirva o naipe. Estude o diagrama. Depois de bater o Ás de espadas, o carteador joga pequena espadas do morto. Se Este joga pequena, o carteador joga pequena também e faz a vaza, podendo então tirar os trunfos. Se Este calçar a vaza (i.e. jogar uma honra em uma posição de “segundo joga fraco” com o objetivo de atrapalhar a comunicação entre as duas mãos), Sul cobre a honra de Este, volta para o morto com o Ás de paus, e termina de tirar trunfos com uma nova finesse.

Note que se as 4 espadas estivessem com Oeste não havia nada a ser feito. Não adianta começar jogando uma honra da mão (como no caso anterior), pois não há duas honras no morto para capturar as hipotéticas honras de Oeste.

Vejamos uma terceira variação:

Já conhecemos a rotina: 3 copas, e ouros. Este naipe, ao contrário do anterior (e de forma semelhante à do primeiro caso), pode ser manejado de forma a capturar 4 espadas em Este e em Oeste. A diferença é que o carteador precisa acertar a forma de jogar (ao contrário do primeiro caso, em que a mesma jogada servia para espadas em Este e em Oeste).

Se as 4 espadas estão em Oeste, Sul deve bater uma honra da mão, ver o descarte de Este, e seguir com uma finesse contra o Valete de Oeste.

Se as 4 espadas estão em Este, Sul deve bater o Ás da mesa, ver o descarte de Oeste, e fazer duas finesses, capturando o Valete e o Nove de Este.

Sem mais informações, trata-se de um palpite.

O assunto ainda não se esgotou e será visto na próxima lição.

Como joga e por que? Soluções 01/10/2015

Veja o artigo original.

Mão 1:

Como joga e por que?

Se a finesse de paus fizer vaza, você ganhará o contrato. O importante é se precaver contra a situação em que a Dama de paus está mal colocada. Se você começar com a finesse de paus e errar, você vai precisar não perder ouros, ou seja, você precisará do Rei curto (seco ou segundo) em Este, uma chance bem pequena.

Se você começar com a finesse de ouros e errar, você ainda tem a finesse de paus (ou seja, não perdeu nada em relação à linha anterior), mas se você fizer esta vaza, você agora pode jogar 3 rodadas de paus, abrindo mão da finesse, pois se a Dama de paus estiver bem colocada Este ficará encerrado. De que adianta isso? Adianta quando a Dama de paus está curta e mal colocada (veja o diagrama). É por isso que a melhor linha é começar com a finesse de ouros (depois de eliminar os ricos, claro — não queremos abrir mão da possibilidade do Rei seco de ouros mal colocado). Note que se a Dama de paus estiver mal colocada e longa, você não perdeu nada em relação à primeira linha — continua precisando do Rei de ouros curto em Este.

Se Oeste, por acaso, tiver a inspiração de fiar o Rei de ouros quando você fizer sua finesse, ele piora sua situação (embora nunca colocando você em condição inferior à da linha em que você começa com a finesse de paus). Tire o chapéu se ele fizer isso (ainda mais se fizer isso rápido). Na prática, se você acertar a finesse de ouros é porque o Rei está bem.

Mão 2:

Suas duas chances básicas são a finesse do 10 de ouros, ou um squeeze nos naipes vermelhos contra Este. Para decidir entre estas duas chances, você precisa observar com cuidado as distribuições adversárias. Comece jogando dois trunfos. Se Oeste tiver uma seca de paus (e portanto no mínimo 6 cartas vermelhas), sua melhor opção é a finesse de ouros. Corte uma espadas e faça esta finesse. Se Este tiver uma seca de paus (e portanto no mínimo 9 cartas vermelhas), o squeeze é sua melhor chance. Corte uma espadas, e corra os trunfos.

Se os trunfos estiverem divididos 3 a 2, a decisão é bem mais difícil. Depois de tirar o terceiro trunfo, corte uma espadas. Como o leilão indica que Oeste tem (no mínimo) 5 espadas, você terá contado os naipes pretos a esta altura. A melhor linha depende desta contagem dos naipes pretos:

(a) Se Oeste originalmente tinha 7 cartas pretas, suas 6 cartas vermelhas forçosamente incluem uma pega em algum destes naipes. O squeeze não pode funcionar, logo, faça a finesse do 10 de ouros.

(b) Se Oeste originalmente tinha 8 cartas pretas, as chances são muito próximas, escolha uma das duas linhas e torça para dar certo. (Claro que dá para calcular qual a melhor chance, mas fazer isso na mesa é bem trabalhoso).

(c) Se Oeste originalmente tinha 9 cartas pretas, deixando 9 cartas vermelhas para Este, deve estar claro que o squeeze é a melhor chance.

O diagrama ilustra a condição (a), mas um bom planejamento de carteio estaria pronto para as outras duas condições.

Como joga e por que? – Soluções 24/09

Veja o artigo original.

Mão 1:

Como joga e por que?

 

A melhor linha é ganhar a saída e jogar Ás de espadas e pequena espadas para o Dez da mesa. O objetivo desta manobra é perder a vaza de trunfo que você pretende entregar enquanto mantém a capacidade de cortar copas na mesa, e de fazer uma finesse de trunfo na terceira volta do naipe (caso ele esteja dividido 4 a 1 — veja o diagrama). Se, depois deste começo, as espadas estiverem 3 a 2, você ganha a volta, tira o último trunfo, e faz o resto das vazas. Se Este tiver QJxx de trunfo, você ganha a volta, corta uma copas na mesa, tira os trunfos com uma finesse, e faz 12 vazas (3 trunfos na mão, o Ás de copas, 1 corte na mesa, 5 ouros, 2 paus).

Armadilhas que devem ser evitadas são:

  • Bater uma honra de trunfo, jogar ouros para a mesa, e fazer uma finesse (jogada de segurança) na segunda vaza de trunfos — esta linha se expõe a um corte quando Oeste tem Hx de trunfos e 4 ouros, uma chance pequena mas de modo algum impossível.
  • Bater uma vaza de trunfos, cortar uma copas na mesa, e puxar trunfo. Se Este tiver QJxx de espadas, ele pode calçar esta vaza com uma honra, deixando suas comunicações em frangalhos. Se você ganha a vaza, você não pode mais jogar trunfos, pois há copas perdedoras em sua mão; se você fia a vaza, Este joga copas, arrancando o último trunfo da mesa e — na maioria dos casos — derruba seu contrato.

Mão 2:

Como joga e por que?

 

Olhando apenas para o naipe de ouros, sua melhor chance é jogar Ás, Rei, e pequeno ouros para o Valete. Você faz 3 vazas sempre que o naipe está dividido 3 a 3, ou se a Dama estiver no lado curto, ou quando Oeste tem 4 ou mais ouros incluindo a Dama, o que dá uma chance em ouros de cerca de 77%. Além disso, você ainda ganha se Oeste tiver uma seca pequena (ou chicana) e a Dama de espadas estiver bem colocada, o que te dá por volta de 82%. Esta linha é bem melhor do que começar com a finesse de espadas, que ganha (além dos casos em que a Dama de espadas está bem colocada) apenas quando a Dama de ouros está curta, o que te dá uma chance total de cerca de 60%.

A melhor linha é um meio termo entre estas duas. Jogue o Ás de ouros, e depois pequeno ouros para o Valete. Você abre mão de uma chance em ouros — a chance de Este ter a Dama segunda — mas mantém a finesse de espadas como alternativa em todos os outros casos, fazendo o contrato em quase 70% dos casos já no naipe de ouros, mais metade do que resta quando a Dama de espadas está bem colocada, e isso sem contar a pequena chance do squeeze que revela a Dama de espadas mal colocada (quando Este está longo em ouros e espadas, Qxxx(x) em ouros e 5 brancas em espadas).

Um outro ponto importante é que você não deve bater uma honra de espadas antes de jogar os ouros. Se você fizer isso, quando Este fizer a vaza com sua hipotética Dama de ouros, ele pode jogar espadas, e te obrigar a decidir entre a finesse de espadas e os ouros divididos 3 a 3.

Ataque mortal – 22/09/2015 (Respostas)

A saída coloca KQ de paus na mão de seu parceiro. Restam 13 pontos no baralho e todos eles (talvez à exceção do Valete de espadas) devem estar com o carteador. Ou seja, a coisa não está fácil, pois você só vê 2 paus e o Ás de trunfo como vazas. Os ouros estão 2 a 2 (Sul deve ter 4 ouros pelo leilão).

Sua única chance (pelo menos é a única que eu vejo!) é tentar iludir o carteador, fazendo com que ele tema que os ouros estejam divididos 3 a 1. Suponha que o carteador tenha a distribuição 2=5=4=2, e que você cubra a saída com o Ás de paus para jogar o Dois de ouros. Como um bom carteador se precaveria contra o que parece ser um iminente corte de ouros? Se o jogador com três cartas de ouros tiver o Ás de trunfo, ele não tem escapatória, mas se o Ás estiver do outro lado, ele ainda está vivo — contanto que acabe com a comunicação entre as mãos adversárias. Assim, Sul planejaria o chamado “golpe das tesouras”, que corta a comunicação dos adversários da seguinte forma (veja o filme para acompanhar, clicando “Next”): Ele ganha a vaza 2 (lembre-se, você cobriu a saída com o Ás e jogou ouros) e joga Rei de espadas, Ás de espadas, e o Dez de espadas da mesa, planejando baldar o paus da mão se esta vaza parar com você (ele acha que quem tem a seca de ouros é você, pois seu parceiro não saiu com ela, e você voltou com o Dois). Você, gentilmente, entra com a Dama de espadas na terceira volta do naipe (mesmo que o parceiro tivesse o Valete), continuando a ilusão. Sul balda paus. Agora, você joga a quarta espadas (que todos na mesa cortam), permitindo que seu parceiro balde um ouros. E quando você pegar a mão com o Ás de trunfos, você dá um corte de ouros (mesmo com o naipe dividido 2 a 2!) para seu parceiro.

É ou não é uma mão linda?

Vejamos a menos linda, mais prosaica (e portanto bem mais prática, que usa uma técnica bastante corriqueira):

Você tem 3 formas diferentes (e exclusivas entre si) de derrubar esta mão:

(a) Quando o parceiro tem o Rei de espadas. Neste caso, você precisa jogar espadas depois de fazer o Ás de paus, criando a entrada na mão do parceiro para atravessar copas antes que o carteador consiga estabelecer algumas vazas em ouros (ele fará no máximo 5 paus e mais 1 em cada naipe).

(b) Quando o parceiro tem o Ás de ouros. Neste caso, você precisa jogar ouros quando fizer o Ás de paus, pois o carteador já terá 9 vazas (3 espadas, 1 copas, 5 paus).

(c) Quando o parceiro tem 6 cartas de copas. Neste caso (principalmente se ele não tiver nenhuma das honras anteriores — note que o carteador pode muito bem ter 10 pontos, ou seja, o Rei de espadas, o Rei de copas, e o Ás de ouros), você precisa bater o Ás de copas agora, pegando o Rei do carteador, que estará seco.

Como decidir entre estas três linhas? Neste momento, você não tem informação suficiente. Logo, a primeira ação é fiar o Ás de paus, permitindo que o parceiro balde na segunda vaza do naipe e te auxilie na escolha da linha. Se ele chamar espadas ou negar ouros, jogue espadas. Se ele chamar ouros ou negar espadas, jogue ouros. Se ele baldar copas (de preferência dando a contagem, das cartas de copas que ainda estão em sua mão), bata o Ás de copas. (Observe que o parceiro tem no mínimo 5 cartas de copas, segundo o leilão — ele não baldará copas com 5 cartas sem honras laterais, pois pode muito bem ser a quinta vaza do ataque).